Filho do barro e do sol, Severino nasceu no Alto do Moura quando o bairro ainda era um aglomerado de casas de taipa. Aprendeu a arte das figuras de barro ainda menino, herdeiro da tradição de Mestre Vitalino, e por mais de sessenta anos moldou com as próprias mãos o cotidiano do sertanejo: o vaqueiro, a lavadeira, o casamento na roça, o retirante. Suas peças cruzaram o Brasil e o mundo, mas ele nunca deixou a banca na feira de Caruaru aos sábados. Pai de sete filhos, avô de dezenove netos, era homem de poucas palavras e mãos generosas. Acordava antes do sol, tomava o café no fogão de lenha e ia para o ateliê, onde o rádio tocava forró baixinho. Deixou um legado de arte, fé e trabalho — e a certeza de que "barro bom é o que se molda com paciência".
